quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Para ter a mudança, basta ser o exemplo dela

Quando encontram-se em momentos complexos/caóticos, as empresas temem a mudança por medo de errar. Entretanto, principalmente a beira de uma crise, a única alternativa para a recuperação são estas tais mudanças. Na Semco, em 1980, houve a necessidade de se recuperar 4 fábricas adquiridas por processo de fusão. E a forma de fazer isso foi quebrar a distância do poder e criar uma liderança participativa.

Clóvis Bojikian, diretor de RH da época, afirma que "as pessoas, quanto menos controladas, mais responsáveis são" e, baseado nesse princípio que começou, aos poucos, a transformar o trabalho, visto na época (e ainda hoje em algumas empresas) como sofrimento/obrigação, em motivação e alegria. Ele começou a perceber que as pessoas que eram felizes no trabalho eram aquelas com poder de decisão e envolvidas no direcionamento da organização. 

Em vez de culparem as circunstâncias e passarem a decisão para nível de mercado, decidiram serem "donos do seu próprio destino". Por isso, passaram a "empoderar" todos os níveis da empresa, iniciando pelos trabalhadores das fábricas, aproveitando as oportunidades do dia-a-dia para exercitar a participação. Com essa atitude, a empresa passou a quebrar as diferenças. Como apenas o lado subjetivo era pouco para Ricardo Semler (o presidente da empresa com 20 e poucos anos na época) e Clóvis, eles decidiram que mais que falar e se comportar de acordo com a nova estratégia, precisavam criar marcadores emocionais. O primeiro deles foi a quebra de todas as paredes do escritório. Hoje em dia, pensando em Google, isso não é nada demais, mas imagine tomar essa atitude na década de 80, onde antes de se chegar ao director havia duas salas: a da secretária e a dele? Um tanto quanto inovador. Dessa forma, "as barreiras foram sendo eliminadas a medida que iam surgindo", explica Clóvis. Cito alguns exemplos que foram importantes para criar a liderança participativa:



  • Processo de recrutamento e seleção: a seleção de um novo gestor era realizada por todos aqueles que tivessem um relacionamento direto com a pessoa: chefe, pares e subordinados. Na fase final do processo, cada finalista seguia para uma fase onde todos aqueles que teriam relacionamento direto com o futuro funcionário (cerca de 10 pessoas) tinham um momento de diálogo onde a empresa escolhia um bom gestor e o gestor escolhia uma boa empresa. Resultado: o futuro gestor já entrava aceito pelo grupo que o escolheu para assumir aquela posição (não era algo imposto pelo chefe) e o compartilhamento de informações e a vontade de inseri-lo no contexto se tornavam prioridade de todos os envolvidos.



  • Processo de avaliação de desempenho: em vez dos chefes avaliarem os subordinados (com todo o carácter subjetivo que possa existir ao fazer isso), os subordinados avaliavam o chefe. Depois, era feita uma média da avaliação (para diminuir a subjetividade intrínseca ao processo) e essa média distribuída ao chefe e aos subordinados que, depois, tinham um momento de feedback sobre o resultado.

Hoje temos ferramentas como a avaliação 360o. graus, muitas vezes online, processo de selecção por redes sociais e um ambiente de valores e tecnologias mais propícios para essa situação. Imagina o tamanho do desafio não só de se ter as ideias mas também de implantá-las na década de 80?


  • A criação da PLR: outra inovação para a época. Nesta ocasião, a única coisa que a empresa estabeleceu foi a porcentagem. Os critérios de participação e regulamento foram estabelecidos pelos funcionários que se voluntariaram para desenvolver esse processo. E a única solicitação dos funcionários foi que a empresa e os sindicatos se responsabilizassem pela capacitação de todos os funcionários (cerca de 800 na época) a lerem e entenderam os relatórios financeiros da empresa. O que foi feito com um curso ilustrado que atendesse a todos os níveis da empresa. Com isso, nas reuniões de PLR começou a surgir novas ideias e havia sempre um feedback sobre como cada sector poderiam melhorar caso o resultado tivesse sido ruim.

Quando a empresa se localiza no nível de desenvolver (veja na imagem abaixo), onde há participação deste nível atingido pela Semco, a utilização dos demais estilos de Liderança é natural e muito bem aceita. Os liderados conseguem entender o motivo pelo qual o líder teve que ter uma atitude mais rígida em determinado momento e o líder tem a liberdade e a motivação de compartilhar o motivo que o levou ter aquele comportamento. Mais uma vez, o modelo de 60 é muito bem aplicável.

Fonte: Liderança Situacional / Hersey & Blanchard by Enablers Network 
"Ninguém motiva ninguém. Você cria condições para as pessoas se motivarem", termino com essa frase do Clóvis para mostrar que, quando pensamos nas pessoas como indivíduos e não números, damos a elas condições para serem autónomas. Assim sendo, elas passam a ter controle de suas vidas e, por isso, responsabilidade sobre suas decisões. A consequência é bem lógica: o EU tem o poder de decidir seu destino e com isso, descobrir e seguir o proposito da sua vida, seja ele qual for.

O do Sr. Clóvis, foi de seguir sua missão de educador, de dar as pessoas a capacidade de aprender a aprender, de ter pensamento crítico e com isso, ser capaz de fazer sozinho, sem dependência de outros. O meu também é esse e, ao ajudar as pessoas, tornar este um mundo melhor. Por isso, parem de serem vítimas das circunstâncias e achar que o sucesso do outro é mérito do contexto. Desafie suas ortodoxias, dialogue mais, pratique mais o "crowdsourcing". Enfim, compartilho a história abaixo (que a conheci através de um evento realizado junto a um cliente) e espero que sirva de inspiração a todos aqueles que estão precisando do "empurrãozinho" ou da mão amiga para terem real controle de suas vidas e começar a agir:



terça-feira, 3 de maio de 2011

O poder da crença: ela move mesmo montanhas

Essa semana meu parceiro Didier Marlier publicou em seu blog, a palestra do TED da Caroline Casey. Há muito tempo não escrevia aqui exatamente por não encontrar algo que me inspirasse. Depois que escutei e vi a Caroline, a única vontade que tive foi de compartilhar com vocês essa história. São 15 minutos que passam como segundos, de tão envolvente e emocionante que são suas palavras (clique na imagem abaixo para acessar o video):



Não sei se sentiram o mesmo, mas para mim é impressionante o poder da crença. Sempre percebi, tanto no dia-a-dia, quanto nos trabalhos desenvolvidos juntos a Enablers, que quando as pessoas desenvolvem seu lado emocional, o resultado é sempre um comprometimento muito maior com as metas; a crença. O trabalho realizado pela Fábrica de Emoções com o prof. Jimmy é um exemplo prático disso.

O que mais me impressionou nesta história é o fato de me fazer sentir como se eu nunca houvesse escutado uma história tão tocante. A razão para este sentimento, eu não sei: será pela emoção presente durante todo o tempo em sua fala? Será por ela não parecer, em momento algum, uma pessoa com qualquer tipo de deficiência? Será pela força e determinação de seus pais? Será pela autenticidade presente em seu discurso?

As perguntas certamente são muitas, mas o resultado é um só: a história tem a capacidade de influenciar pessoas, mudar mentes e comportamentos. E, seja qual for o método escolhido para contar essa história, tocar o coração das pessoas me parece o ingrediente que não pode faltar.

Vejo muitas pessoas que reclamam da realidade, dos problemas, mas esquecem que para mudar é preciso, primeiro, descobrir qual a sua crença ou definir o que você quer e, em seguida, batalhar, sair da zona de conforto, para fazer aquilo acontecer! Espero que estes 15 minutos toquem seu coração e sua vida como me tocou: acreditar em algo e lutar por aquilo é fundamental para viver: seja como uma empreendedora, como a Caroline, seja crescendo cada vez mais dentro da sua empresa, engajando sempre sua equipe e seus colegas. 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Um exemplo de comunicar pelo WHY - Batelco Infinity

Compartilho aqui com vocês uma propaganda que recebi pelo meu "paidrasto" Carlos Roberto por email. O título do email é computação gráfica, mas quando a vi, custei a conectar o título do email ao que senti. Afinal, a sensação que tive foi muito maior de que apenas um video de grandes efeitos de computação gráfica. Vi ali uma comunicação de marca voltada totalmente para o WHY: a empresa não estava ali vendendo O QUE ela faz, ou COMO ela faz. Pelo contrário, acabei de assistir a propaganda sem nem entender o que a empresa fazia. Mas, o que aquele video me passou foi algo muito maior: me passou que o propósito daquela empresa, independente do segmento em que atua, é de entregar sonhos. Ou seja, a empresa deixou claro o seu propósito que atender ao seu cliente sempre, qual seja o sonho dele.

Segue o video:


Em seguida no email, tem o link do making off do video, onde, mais uma vez, a empresa não explica COMO ela trabalha, mas sim, COMO ela FEZ aquele específico video (uma forma de compartilhar o know how, provando que está alinhada aos valores da Open Economy? Fica a dúvida). Agora sim, o título do email ser "Computação gráfica" fez sentido. Segue para vocês verem:



Depois de tanta interação com a empresa (mesmo que de forma indireta), decidi entrar no perfil do Facebook que é apresentado no final do video. Foi só nesta hora, quando fui ler as infos do perfil, que descobri O QUE a empresa faz.

Fica a dica de como apresentar o WHY, de maneira criativa e  de que não precisar ser Steven Jobs ou a Apple para ter uma relação diferenciada e única com seus clientes (como mostrei no post anterior do Sinek).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A importância de um propósito

Meu amigo Sergio Queiroz me mandou esse vídeo e a história contada me comoveu e me fez ficar com ela na cabeça por muito tempo. Compartilho com  vocês a história do Buraco do Mundo na Índia:



Depois de pensar um tempo e, principalmente, depois das experiências que tenho vivido nas últimas semanas, cheguei aos motivos que fizeram desse vídeo tão especial para mim. O primeiro motivo é a forma como a história é contada: tem autenticidade, tem sentimento e por isso, cria uma imersão emocional.

O segundo motivo é a motivação, o propósito da ideia do Dr. Sugata Mitra: trazer acesso igualitário a todos, partindo de transpor a "fronteira digital" e chegando a um ideal: de trazer uma nova vida as crianças da Índia. Por trás de toda a história, tem uma razão tão forte que nos comove e nos prova que através de pequenos atos é sim possível mudar o mundo (pelo menos foi isso que ressoou para mim).

Existe um modelo compartilhado no TED do Simon Sinek onde ele explica uma lógica bem simples na hora de vender a imagem da empresa, utilizando WHAT, HOW e WHY (um modelo muito bom para o marketing, by the way). O WHAT seria utilizado para responder a pergunta: O QUE você vende. O HOW corresponde a como é o produto/processo. E o WHY seria o propósito: PORQUÊ meu produto é o melhor.  No vídeo abaixo, ele explica o modelo através de alguns exemplos:


A ligação entre o WHY de Sinek e a história do Buraco do Mundo para mim é muito explícita! Por que a história é comovente, nos faz imergir no contexto e não sai da nossa cabeça? Porque o WHY, o porquê e o propósito está muito bem explicado e além do mais é humano e autêntico. Neste post do Didier Marlier ele explica mais essa relação entre a teoria de Sinek e a forma como devemos viver estratégias, valores e missão dentro das empresas e como a liderança de uma empresa deve se posicionar a fim de motivar a empresa a fim de atingir um objetivo. Se não há um propósito definido, como engajar seu time se não há um senso comum e uma linguagem comum entre todos?

O quero trazer com esse post é mais uma inspiração de que o WHY deve estar sempre presente em nossa vida. Quando uma mensagem não está sendo entendida, talvez seja porque não compreendemos bem o propósito por traz daquele pedido ou daquilo que queremos passar.

E, por isso, deixo vocês com uma pequena (como a ideia do Dr. Sugata) mas poderosa pergunta: qual o seu propósito de vida? Para o que você vive? E isso está alinhado com o propósito que a sua vida profissional e que a sua empresa tem para você? Fica aí uma perguntinha que vem inspirada na linda e nevada Suíça e que tem voltado em minha mente de quando em vez!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A experiência estética e imersão na prática


Sabe quando você não acredita no que está fazendo, porque de tão perfeito parece um sonho? Eu sempre vivi isso na minha vida pessoal e confesso que vivo isso praticamente todos os dias com minha família e meu namorado. Mas havia tempos que esse sentimento estava bem longe da vida profissional.

Há um mês, tive a honra de conhecer pessoalmente o professor/consultor Didier Marlier (que inclusive citei em um post abaixo), especialista em liderança e engajamento. Nos conhecemos através do seu blog e passamos a conversar mais pelo LinkedIN. E foi, através de uma dessas mensagens, que ele me convidou para conversarmos pessoalmente em São Paulo. Uma conversa tão inspiradora que me fez voltar a escrever aqui no blog!

Nessa conversa, surgiu a possibilidade de participar com ele e com sua equipe de um evento fechado para os TOP100 de uma grande empresa mundial com atividades no Brasil. E a possibilidade se concretizou em um convite. E o convite, em três dias em que vivi um sonho em minha vida profissional.

Há alguns anos, desde que comecei minhas pesquisas na área de mídias digitais (incluindo jornalismo, arte, literatura e liderança tanto na internet quanto em celular), venho compartilhando aqui com vocês algumas ideias.  Argumentos e novas maneiras conceituais de trabalhá-los foram expostos e também a provocação da possibilidade de aplicá-los mais frequentemente na prática. Esses três dias de trabalho com Didier Marlier, Nick McRoberts, Marcos Nascimento, Jimmy e, principalmente, os TOP 100 da grande empresa me mostraram que, não só é possível aplicar todos estes conceitos na prática, como é possível deixar marcas permanentes na vida de todos os envolvidos.

Durante todas as atividades, os conceitos de: imersão, storytelling, memória visual, da importância do conteúdo e, principalmente, experiência estética foram praticados sem nem serem percebidos, de tão natural que foi todo o processo. É impressionante como temos a cultura onde o professor/consultor/especialista se enche de orgulho e se acha melhor que aqueles para quem ensina. Didier e Nick me mostraram como essa visão é deturpada: o conhecimento não se exprime através da imposição ou de um monte de Power Points, mas sim através do poder de escutar o público.

O que foi totalmente comprovado através da experiência realizada pelo professor da ESPM Marcello Chiavone Pontes, ou o Jimmy. Atuando na área de Marketing Experiencial ele é capaz, junto com sua equipe da Fábrica de Emoções, de transformar (no caso deste evento em particular) os TOP 100 em uma verdadeira escola de samba, com direito a bateria, samba-enredo (composto pelos participantes), alegoria, fantasias e comissão de frente. A experiência que vivemos muito bem analisada neste post do Didier Marlier.

O que mais me fascinou nesta experiência da escola de samba foram as sensações que o desfile e, até mesmo a palestra do Jimmy me causaram. Como boa brasileira, AMO o carnaval e o carioca é simplesmente maravilhoso. Durante a palestra, onde o Jimmy apresentou que carnaval é coisa seria e durante a apresentação do desfile, eu me senti realmente emocionada. E o mais legal foi perceber que para cada um daqueles participantes vai levar para sempre, arraigados neles, os conceitos básicos de liderança, principalmente a força de um trabalho de equipe. Afinal, foi uma experiência vivida com todos os cincos sentidos, de maneira totalmente passional e pela superação de um desafio até então considerável impossível de ser superado.

Mas como tudo isso, se vivido apenas na esfera emocional e comportamental não ativa automaticamente a esfera da lógica, no dia seguinte Didier fez um trabalho impressionante de resgate de conceitos trabalhados no dia anterior e provou a eles, através das conclusões que os próprios participantes chegaram (ou seja, aprender a escutar e guiar), que as metas de um planejamento estratégico para os próximos 4 anos da empresa não só é possível, como eles terão prazer de passar as suas equipes de maneira engajadora, como os foi passado.

Depois destes três dias, ficou muito claro para mim que é SIM possível fazer de um simples treinamento ou reunião de planejamento estratégico uma experiência memorável. O que pode significar mais gasto por parte da empresa, mas um gasto que será um grande investimento. Afinal, se eu consigo deixar a cada um dos TOP 100 uma experiência que comprove a capacidade deles de trabalho em equipe e de superação de desafios, valorizando o passado e trabalhando para o futuro, eu garanto que vou atingir as metas esperadas.

Por estes momentos vividos, pelo design diferenciado de evento, pelas sábias palavras, educação e paciência do Didier e Nick (com quem convivia grande parte do meu tempo) e, principalmente, pelos participantes que durante todo o evento estavam engajados e totalmente VESTINDO A CAMISA (agora sim entendo bem esse conceito) da empresa, meu MUITO OBRIGADA!!! Com certeza, foram vocês os responsáveis por fazer deste sonho realidade! Agora fica a comprovação de que é possível transformar o mundo e viver em mundo melhor: depende só da gente. Depende de como nos portamos no mundo: afinal sempre influenciamos a todos ao nosso redor.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A economia aberta e o futuro do dinheiro

Recentemente estou voltando meu contato com temas do mundo corporativo e estou impressionada como existem algumas (poucas, mas elas existem) pessoas que já se preparam para lidar com esse mundo cada vez mais web 2.0 no ambiente organizacional. Em 2010, vivemos em um mundo onde se convivem duas formas de valores sociais: a já conhecida época onde a hierarquia, o dinheiro, o monópolio e a massificação eram a fórmula de sucesso; e a que está chegando com a famosa geração Y e que segue cada dia mais forte: o século XXI.

A medida que vou lendo artigos e vendo palestras na internet, sinto que essa dualidade vai persistir por um bom tempo (e depois de uma conversa com o Didier Marlier, isso ficou totalmente claro para mim). Um exemplo muito prático isso é ver como duas empresas com modelo de gestão completamente diferente como o Google e a Apple, são igualmente poderosas no mercado. Mas é impossível negar a tendência de que a economia e sociedade que surge com a nova geração, em decorrência do tempo, será a dominante. E para isso, é preciso estar preparado (se for uma empresa, esse post sobre "Por que sua empresa deve ter presença nas mídias sociais?") para a chamada Economia Aberta. Este termo é utilizado por Didier Marlier como uma sociedade na qual "há desmassificação, diversidade, produção baseada em conhecimento e acelaração da mudança" (MARLIER, p. 7 e 8). E esta economia parece seguir éticas e valores como:

1) Generosidade: a cultura do código aberto aliada à do conteúdo livre;
2) Responsabilidade (e auto disciplina): quanto mais responsável, maior o nível de liberdade e oportunidades;
3) Abundância (o princípio da): um princípio responsável por substituir a atitude defensiva e competitiva;
4) Valor (autêntico): a marca registrada do "novo capitalismo", representado muitas vezes pelo conhecimento;
5) Interdependência: o mundo está cada vez mais interconectado e globalizado. Um exemplo disso é o Aquecimento Global: como atitudes locais afetam o mundo;
6) Confiança: promovida a cada dia como A moeda do mundo conectado;
7) Autenticidade: walk the talk (by Nigel Paine)
8) Atitude de Compartilhamento: algo muito enraizado pelo uso das redes sociais e aqui serão "inventadas novas maneiras de monetizar o Conteúdo".


Tudo isso fica muitobem exemplificado no vídeo "The Future of Money"(by Brainstorm), a seguir:


The Future of Money from KS12 on Vimeo.

"See more themselves as producers to create value.
TRUST is the basis to recreate the new community that share values. Nobody tell us who to trust: they must earn our TRUST.
Create an atmosphere inside the company to allow people who work there to speed out crazy ideas.
There is a big money making opportunity in currency innovation to develop new operational systems."

São todas frases retiradas do próprio vídeo. 

É impressionante como vídeo e a definição da Economia Aberta focam tanto a palavra conhecimento, através do qual são estabelecidas as relações de confiança e todo um novo modelo de negócio e o futuro do dinheiro. E uma boa percepção disso eu escutei essa semana em uma videoconferência realizada pela Educartis com o Michel Authier. Nessa apresentação ele disse o seguinte:
Para mim o conhecimento é, antes de mais nada, a capacidade que os seres humanos tem de colaborar, de serem solidários diante dos problemas que possam ocorrer. E, é essa economia, que poderia ser a economia do futuro. Ela não é incompatível com a economia clássica dos produtos que se interessa especificamente ao interesse financeiro representado através do preço das mercadorias, salários, mercado de capitais e etc. E é importante que ela (a economia do futuro) prospere para o bem-estar material das pessoas. Mas a partir do momento que o bem-estar está garantido, o que a paixão das pessoas em criar redes sociais tem provado é que as pessoas precisam se conhecer e que a principal motivação é a capacidade de criar e inventar. Afinal, interesse no sentido latim da palavra quer dizer: entre os seres. E há interesse por parte de cada ser humano de conhecer o outro, um bem-estar de dominar um saber/conhecimento. Mas todos esses registros vão designar uma nova forma de estar juntos. (AUTHIER, 2010)
E como fazer com que gerações dos babyboomers, acostumados com a economia e sociedade do século XX, se adaptem a esta nova realidade? Aqui entra toda a minha discussão da importância de unir conteúdo à experiência estética: é preciso desafiar essas pessoas, é preciso ensinar de maneira diferente, é preciso fazer congressos que não sejam "mais do mesmo" mas que, em seu formato e conteúdo, consigam deixar marcas nas pessoas. As campanha publicitárias já tem utilizado este artíficio (lançamento de filmes, de carros e de diversos outros produtos), afinal, para estas empresas que comercializam produtos, a Economia Aberta já começou pois seus consumidores (dependendo do tipo de produto) são dessa nova geração Y.

Acho que as pessoas aqui citadas, pesquisas, conceitos e principalmente o vídeo possam ser poderosos insights ou pontos de partida quando pensamos em inovação. E quem tiver mais sugestão de ideias, compartilhe. Afinal, estamos na e somos frutos da era da Economia Aberta!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Museu da Língua Portuguesa e o poder fascinante da arte

Desde quando comecei a analisar arte digital em um projeto de pesquisa junto ao @chfalci, comecei a me encantar (ainda mais) com a arte. Esse encanto me foi reforçado no momento em que visitava o Museu da Língua Portuguesa e foi traduzido como a capacidade que a arte tem de despertar a atenção das pessoas através de sensações estéticas variadas. 

Neste fim de semana, a experiência que tive foi de um reencontro mágico, no qual descobri o poder da arte: o de ensinar. Fui apreciar a exposição itinerante do poeta português mais brasileiro que o Brasil já teve (como dizia a própria biografia do autor na abertura da exposição): Fernando Pessoa. Ali, através de diferentes instalações, fui me encontrando com o poeta em diversas frases que, mesmo já conhecidas, naquele meu momento (conforme visto no vídeo do post anterior) de imersão, se transformaram na expressão mais linda dos meus sentimentos. Como diz a minha amiga @thaisagrande, "é impressionante como ele (Fernando Pessoa) consegue falar tudo que eu sinto de uma maneira tão bonita".

Já o segundo andar é dedicado a uma exposição "fixa" que traz a história da língua. Como o Museu estava muito cheio, a minha "expedição" começou por aí. E aqui me surpreendi com a quantidade de pessoas e mais, de CRIANÇAS! Várias telas interativas onde se descobria mais da história e da etimologia das palavras, mas eu não consegui experimentar nenhuma. Estavam todas sempre ocupadas com crianças que, naquele momento, aprendiam brincando. E acho que o prazer de ver crianças sendo educadas de maneira tão lúdica, prática e eficaz foi maior que o próprio prazer de brincar com as palavras.

"Planetário da Língua"

 No terceiro andar, com hora marcada, tem um auditório onde é apresentado um vídeo de 10 minutos sobre as origens da Língua Portuguesa e depois, todos participam de uma "espécie de “planetário da Língua”, composto por imagens projetadas e áudio", como explica o site do Museu. E este lugar me encantou! Nele, a arte digital foi a responsável por meu momento de redescoberta: onde os chatos poemas do colégio, onde era necessário decorar os versos e a sua classificação se transformaram em palavras que tocaram a minha alma e que conseguiram alcançar as minhas mais lindas experiências e meórias. É impressionante como eu realmente SENTI o clássico de Camões nos "Lusíadas" (abaixo) através da multimidialidade dos recursos: áudio, vídeo e imagem. Digo multimidialidade por me traduzirem um sentido diferente daqueles quando se lê, vê ou ouve um poema. Foi essa característica que se fortalece na "Era Digital" que me "arrepiou" e encheu meus olhos de lágrimas...

"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
"

Além de me reacender o amor pela literatura e pelas palavras, a arte digital presente naquele espaço me reforçou o quão importante é seu papel na educação. Como serão os jovens do futuro que aprendem literatura e demais ciências de forma tão lúdica? O Museu da Língua Portuguesa me mostrou não só que isso é possível mas como é gostoso viver e sentir a arte. Mais uma vez chego a mesma conclusão: a experiência do "sentir" com o olfato, visão, tato, audição e paladar, ou seja, esteticamente, é aquela que realmente deixa marcas: no aluno, no consumidor, no telespectador, no torcedor - no seu público-alvo.

Um grande desafio? Sim!! Não duvido disso! Mas é na experimentação que se consegue alcançar o objetivo; é tentando que se chega lá; ou, como diria Fernando Pessoa, é desconhecendo que se conhece:

Foto da Instalação do Museu da Língua Portuguesa