segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A experiência estética e imersão na prática


Sabe quando você não acredita no que está fazendo, porque de tão perfeito parece um sonho? Eu sempre vivi isso na minha vida pessoal e confesso que vivo isso praticamente todos os dias com minha família e meu namorado. Mas havia tempos que esse sentimento estava bem longe da vida profissional.

Há um mês, tive a honra de conhecer pessoalmente o professor/consultor Didier Marlier (que inclusive citei em um post abaixo), especialista em liderança e engajamento. Nos conhecemos através do seu blog e passamos a conversar mais pelo LinkedIN. E foi, através de uma dessas mensagens, que ele me convidou para conversarmos pessoalmente em São Paulo. Uma conversa tão inspiradora que me fez voltar a escrever aqui no blog!

Nessa conversa, surgiu a possibilidade de participar com ele e com sua equipe de um evento fechado para os TOP100 de uma grande empresa mundial com atividades no Brasil. E a possibilidade se concretizou em um convite. E o convite, em três dias em que vivi um sonho em minha vida profissional.

Há alguns anos, desde que comecei minhas pesquisas na área de mídias digitais (incluindo jornalismo, arte, literatura e liderança tanto na internet quanto em celular), venho compartilhando aqui com vocês algumas ideias.  Argumentos e novas maneiras conceituais de trabalhá-los foram expostos e também a provocação da possibilidade de aplicá-los mais frequentemente na prática. Esses três dias de trabalho com Didier Marlier, Nick McRoberts, Marcos Nascimento, Jimmy e, principalmente, os TOP 100 da grande empresa me mostraram que, não só é possível aplicar todos estes conceitos na prática, como é possível deixar marcas permanentes na vida de todos os envolvidos.

Durante todas as atividades, os conceitos de: imersão, storytelling, memória visual, da importância do conteúdo e, principalmente, experiência estética foram praticados sem nem serem percebidos, de tão natural que foi todo o processo. É impressionante como temos a cultura onde o professor/consultor/especialista se enche de orgulho e se acha melhor que aqueles para quem ensina. Didier e Nick me mostraram como essa visão é deturpada: o conhecimento não se exprime através da imposição ou de um monte de Power Points, mas sim através do poder de escutar o público.

O que foi totalmente comprovado através da experiência realizada pelo professor da ESPM Marcello Chiavone Pontes, ou o Jimmy. Atuando na área de Marketing Experiencial ele é capaz, junto com sua equipe da Fábrica de Emoções, de transformar (no caso deste evento em particular) os TOP 100 em uma verdadeira escola de samba, com direito a bateria, samba-enredo (composto pelos participantes), alegoria, fantasias e comissão de frente. A experiência que vivemos muito bem analisada neste post do Didier Marlier.

O que mais me fascinou nesta experiência da escola de samba foram as sensações que o desfile e, até mesmo a palestra do Jimmy me causaram. Como boa brasileira, AMO o carnaval e o carioca é simplesmente maravilhoso. Durante a palestra, onde o Jimmy apresentou que carnaval é coisa seria e durante a apresentação do desfile, eu me senti realmente emocionada. E o mais legal foi perceber que para cada um daqueles participantes vai levar para sempre, arraigados neles, os conceitos básicos de liderança, principalmente a força de um trabalho de equipe. Afinal, foi uma experiência vivida com todos os cincos sentidos, de maneira totalmente passional e pela superação de um desafio até então considerável impossível de ser superado.

Mas como tudo isso, se vivido apenas na esfera emocional e comportamental não ativa automaticamente a esfera da lógica, no dia seguinte Didier fez um trabalho impressionante de resgate de conceitos trabalhados no dia anterior e provou a eles, através das conclusões que os próprios participantes chegaram (ou seja, aprender a escutar e guiar), que as metas de um planejamento estratégico para os próximos 4 anos da empresa não só é possível, como eles terão prazer de passar as suas equipes de maneira engajadora, como os foi passado.

Depois destes três dias, ficou muito claro para mim que é SIM possível fazer de um simples treinamento ou reunião de planejamento estratégico uma experiência memorável. O que pode significar mais gasto por parte da empresa, mas um gasto que será um grande investimento. Afinal, se eu consigo deixar a cada um dos TOP 100 uma experiência que comprove a capacidade deles de trabalho em equipe e de superação de desafios, valorizando o passado e trabalhando para o futuro, eu garanto que vou atingir as metas esperadas.

Por estes momentos vividos, pelo design diferenciado de evento, pelas sábias palavras, educação e paciência do Didier e Nick (com quem convivia grande parte do meu tempo) e, principalmente, pelos participantes que durante todo o evento estavam engajados e totalmente VESTINDO A CAMISA (agora sim entendo bem esse conceito) da empresa, meu MUITO OBRIGADA!!! Com certeza, foram vocês os responsáveis por fazer deste sonho realidade! Agora fica a comprovação de que é possível transformar o mundo e viver em mundo melhor: depende só da gente. Depende de como nos portamos no mundo: afinal sempre influenciamos a todos ao nosso redor.

2 comentários:

  1. Gaby, gostei muito do post e acredito nesta filosofia do engajamento e experiência. Creio que se queremos deixar a nossa marca e escrevermos uma história que será lembrada, ela deve envolver os personagens ao nosso redor e ser contada de uma maneira única, que fuja do padrão, se possível que explore o máximo dos seus sentidos. Se lembramos dos momentos que mais nos marcaram profissionalmente quase nenhum estava em uma situação formal como uma reunião. Se queremos envolver as pessoas temos que trabalhar para que isso seja algo prazeroso.
    Se conseguirmos levar essa sensação ao ambiente de trabalho teremos uma equipe altamente envolvida e o trabalho perderá essa carga pejorativa que costumamos ver.

    Parabéns e obrigado por dividir essa experiência

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  2. Olá!

    Dada a sua curiosidade sobre a questão organizacional, informo, em primeiro lugar, que está sendo concluída uma tese de doutorado sobre as práticas organizativas em escolas de samba; o autor chama-se César Tureta. Logo a seguir, dou a sugestão do livro Sensemaking in Organizations (Karl Weick, 1995), que pode lhe ajudar no melhor entendimento daquilo que está escrito no post: liderança e engajamento.

    Agora, utilizo o meu lado provocateur e deixo como pontos para reflexão e debate: a fuga e a constante necessidade dos indivíduos do século XXI para experiências estéticas.

    Tal reflexão ocorreu a partir dos seus posts e da minha atual fase que é a de escrever uma dissertação de mestrado. Dada esta situação limítrofe, percebi que tenho buscado mais por experiências estéticas que contribuem para anestesiar a minha mente, como ir ao show do Paul McCartney, por exemplo.

    Faço um pequeno adendo para dizer que após ter o privilégio de ter presenciado o Paul tocar e já ter visto o Zico jogar pelo Mengão no Maraca, só me resta ver o Superman voar.

    Voltando para as experiências estéticas, percebo que a questão emocional, se assim posso dizer, tem sido cada vez mais dominante. O Marketing faz cada vez melhor o seu papel de criar as necessidades para a utilização das emoções nos processos econômicos-sociais, somos cada vez mais instigados a experimentarmos. Até mesmo a linguagem utilizada tem sido voltada para narrativas (storytelling). Tudo isso indica um maior conhecimento de como o cérebro humano funciona e ao mesmo tempo que a racionalidade pode ser cada vez mais dispensada.

    Dada essa avalanche de experiências estéticas que são ofertadas em função de vazios a serem preenchidos pelos indivíduos que já não "são" mais, questiono se não estamos sendo tratados de modo cada vez mais infantil, e portanto com menor autonomia, e se o conteúdo acaba por não ser um ponto cada vez mais importante ao passarmos por experiências estéticas.

    Finalizo sugerindo, como um bom brasileiro, a utilização do espaço boteco para debates futuros.

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